Diário

     

19.11.03

 
Pureza. Histórias para serem escritas no diário que está trancado no quarto. Você é uma pureza, querido. Gostaria de te abraçar sinceramente, mas a maldade sempre dói e incomoda.


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17.11.03

 
Que efeitos terão os abraços de L. em T.? Sonhei que precisava dirigir meu carro e ele estava cheio de coisas e pessoas. Eu não sabia se conseguiria dar a partida. Esta voz que ouço dentro de mim é mais triste do que eu. Mulheres agudas perseguem meus ovários. Existe "temática feminina"?

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14.11.03

 
Estou mantendo este diário com vistas ao anonimato. Não gosto da exposição de intimidades. Ontem Joana perguntou porque não respondi ao e-mail de Miguel. Não falei nada, calei como lira paulistana. "Faço calçada todo dia". Conferir se o rumo está certo.
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13.11.03

 
Terça-feira

Acordar 9h - BANHO -
Super: 10h30
Xerox Dissertação
12h30/13h: Almoçar
14h: sair - Bárbara


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12.11.03

 
Outro dia daqueles. De noite, A. apareceu novamente e concordou comigo: eu preciso sair daqui. Estivemos mais próximas uma da outra do que nunca nestes últimos dois anos. Determinada a não chorar - e chorei. Minha lente de contato incomodou muito, preciso ir ao oculista e trocá-la. Quando penso no início da próxima semana...Mas é preciso ser forte, exatamente onde somos fracos. Falo de forma genérica, é claro, mesmo que seja somente para você. Estranho, não sinto nenhum remorso por enquanto.
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26.2.03

 
Dia ensolarado, linda luz no final da tarde, cruel como sempre. L. veio para o chá, mas não foi divertido. Penso em levar a sério minhas anotações matutinas. Os gatos sobem no meu carro, deixam marcas das patas no pó. Sonhei que eles morriam de antipneumonia, como K., que contou algo semelhante, senão igual. Um quase ataque cardíaco ontem à noite, às 21h. Às cinco da manhã achei que estava no escuro interminável da vida; só haviam sussurros femininos.
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18.2.03

 
Noite rosa (eclipse lunar). Às quatro da manhã, decidi que T. era um maníaco obsessivo. Tenho certeza disso. Comecei as leituras recomendadas. Dia quente e poluído. Trabalhei de forma desordenada e esquizofrênica. A. veio. Conversamos a respeito dela abertamente e sem censuras. Não há cartas, nem diários. O lenço e a blusa branca de A.
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Paulo Leminski:

ERRA UMA VEZ

nunca cometo o mesmo erro
duas vezes
já cometo duas três
quatro cinco seis
até esse erro aprender
que só o erro tem vez

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